sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O primeiro pensamento...

Com o positivo do exame de sangue eu pensei: "Que coisa inacreditável!" E descobri, mais do que um filho, o significado dessa palavra!
Inacreditável é tudo aquilo que traz muita tristeza ou uma felicidade exageradamente grande.Inacreditável é o adjetivo pra substantivos que nos fazem rir como idiotas ou chorar feito crianças.Inacreditável é o nome que acompanha a maior parte das surpresas da nossa vida.Inacreditável é aquilo que faz a gente saltar por dentro ou se desmoronar feito castelo de areia.Inacreditável é ter consciência de que a vida muda em uma fração de segundos!Inacreditáveis são os meus momentos de agora e eles vão emoldurar pra sempre a tela maravilhosa que estou pintando pra minha vida.

Este precioso momento!!!!

Ontem (momentos antes de passar muito mal durante o banho) fiquei refletindo sobre o que é pra mim essa gravidez e o tanto que ela me transformou não apenas em uma criatura meio convexa, mas em uma criadora que se orgulha constantemente de sua força e coragem.
Já confessei a algumas pessoas o quanto tive medo no início. Um medo que não andava sozinho e sim acompanhado de zilhões de dúvidas e incertezas e lágrimas e gritos de nervosismo.
Para quem não sabe, o Heitor ficou no anonimato por longos 4 meses e hoje me perguntam: "como você aguentou?" ou então me elogiam: "é, você aguentou!". Sempre me perguntam porque não pedi ajuda, porque não falei no início, porque guardei isso pra mim, etc etc etc.
Quem me conhece sabe que sou completamente dramática, faço tempestade em copo d'água e faço pequenos problemas adquirirem o formato "extra large" de uma crise mundial. Mas a questão é a seguinte: esse não era um pequeno problema e, pra falar a verdade, nem é problema! É uma situação ultra avassaladora. Acho esquisito eu fazer com que se preocupem com as coisinhas e ao mesmo tempo preferir esconder as coisonas! Porque são as coisonas que realmente fazem com que eu pare pra pensar, enquanto as coisinhas são apenas pequenos problemas que eu enfatizo pra poder passar o tempo e ganhar um ou outro "adulo"!
O dia em que peguei o resultado do exame no laboratório eu pensei: "Putz! Agora ...! " e tentei me controlar, tentei criar um terreno calmo pra resolver a situação. Lógico que demorou tempo suficiente e acabei adquirindo outras formas, mas também foi o tempo que eu precisava para estar suficientemente pronta para as consequências!
Vou ser um tanto quanto metafórica e fazer algumas analogias para explicar como faço para resolver situações - problema:
Início: talvez seria um paraíso. Mas não gosto de castelos irreais de conto de fadas!
Meio: seria uma praia e eu estaria construindo um castelo de areia frágil e rapidamente solúvel!
O dia D: foi um terreno suficientemente firme onde acabei estabelecendo uma fortaleza e pude estar sólida e bem fincada para suportar tantas críticas! Foi quando eu descobri que eu sou uma pessoa mais forte do que aparento e consegui resolver, junto a isto, os meus maiores problemas!
Lógico que me culpo bastante por ter colocado a vida do Heitor em risco ao escolher o segredo e não optar por cuidados necessários, mas hoje eu me sinto reformada e reforçada. Tenho ainda medos, dúvidas, incertezas, lágrimas e gritos de nervosismo, mas eu gosto! Eu sempre vivi o dia D, a hora H das coisas, coisinhas e coisonas!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Crítica: "Ensinando a viver"

Para quem ainda não assistiu, tá aí uma sugestão: o filme "Ensinando a viver", com John Cusack e Amanda Peet é uma linda história de um viúvo que adota um menino super complicado e dá a ele lições de como ser humano ao mesmo tempo em que se transforma num pai exemplar.
Comprei o filme pela frase da capa (ultimamente só compro se for boa): "A história de um homem aprendendo a ser pai e de um garoto aprendendo a ser filho.!". Me chamou bastante atenção porque, de certa forma, ando precisando de umas lições sobre como educar crianças, mesmo acreditando que o Heitor não vai ser uma criança que pensa ser extraterrestre!
Um belo filme que me fez chorar muito (e isso já me faz apaixonar pelo filme - porque, se não me cutucar lá no fundo, não é bom o suficiente!).

História dos sentimentos - Lya Luft

"Os sentimentos humanos certo dia se reuniram para brincar. Depois que o TEDIO bocejou três vezes porque a INDECISÃO não chegava a conclusão nenhuma e a DESCONFIANÇA estava tomando conta, a LOUCURA propôs que brincassem de esconde-esconde. A CURIOSIDADE quis saber todos os detalhes do jogo, e a INTRIGA começou a cochicar com os outros que certamente alguém ali iria trapacear.O ENTUSIASMO saltou de contentamento e convenceu a DÚVIDA e a APATIA, ainda sentadas num canto, a entrarem no jogo. A VERDADE achou que isso de esconder não estava com nada, a ARROGÂNCIA fez cara de desdém pois a idéia não tinha sido dela, e o MEDO preferiu não se arriscar:"Ah, gente, vamos deixar tudo como está", e como sempre perdeu a oportunidade de ser feliz.A primeira a se esconder foi a PREGUIÇA, deixando-se cair no chão atrás de uma pedra, ali mesmo onde estava. O OTIMISMO escondeu-se no arco-íris, e a INVEJA se ocultou junto a HIPOCRISIA, que sorrindo fingidamente atrás de uma árvore estava odiando tudo aquilo.A GENEROSIDADE quase não conseguia se esconder porque era grande e ainda queria abrigar meio mundo, a CULPA ficou paralisada pois já estava mais do que escondida em si mesma, a SENSUALIDADE se estendeu ao sol num lugar bonito e secreto para saborear o que a vida lhe oferecia, porque não era nem boba nem fingida; o EGOÍSMO achou um lugar perfeito onde não cabia ninguem mais.A MENTIRA disse para a INOCÊNCIA que ia se esconder no fundo do oceano, onde a inocente acabou afogada, a PAIXÃO meteu-se na cratera de um vulcão ativo, e o ESQUECIMENTO já nem sabia o que estavam fazendo ali.Depois de contar até 99 a LOUCURA começou a procurar. Achou um, achou outro, mas ao remexer num arbusto espesso ouviu um gemido: era o AMOR, com os olhos furados pelos espinhos.A LOUCURA o tomou pelo braço e seguiu com ele, espalhando beleza pelo mundo. Desde então o AMOR é cego e a LOUCURA o acompanha.Juntos fazem a vida valer a pena - mas isso não é coisa para os medrosos nem para os apáticos, que perdem a felicidade no matagal dos preconceitos, onde rosnam os deuses melancólicos da acomodação."

Impressionante como as coisas se encaixam!